Hoje saí do escritório e resolvi despojadamente dar um pulo na Etna. É caminho pra casa anyway, e eu tava a fim dar uma renovada no meu quarto, no mínimo ia encontrar inspiração lá.
Como todas as vezes vou que lá, acho tudo lindo, mas percebo que não tenho nenhuma capacidade de fazer a minha casa ficar linda também. Se me mostram os itens separados, fora de ambiente, acho tudo feio, não sei dizer o que combina e, principalmente, não faço a menor idéia se ia ficar legal junto com as coisas que eu já tenho em casa. É, não nasci pra decoração. Mas aí eu fico vendo todos aqueles ambientezinhos que eles criam, e eles são tão bonitinhos e tão vazios. Queria encher aquelas mesas de jantar com a Cachinhos Dourados e os ursos que tomam conta dela, sabe? Bom, aí as idéias tomam outro rumo (pq afinal de contas ficar pensando sobre a Cachinhos Dourados não te leva a muitos lugares) e eu fico pensando se um dia eu vou ter uma casa bonitinha e arrumadinha que nem aquelas. Bem decoradinhas, com tudo arrumado e combinando, com cara de casa de adulto. Sabe, a minha casa é… desajeitada. Não vou dizer que é feia, pq também não seria justo… mas o fato é que a casa é grande e os objetos são quase todos os mesmos desde, hum, 1986? Cada vez que solto um singelo “orra mãe, vc nunca quis dar uma renovada na coisas por aqui, não?”, ela responde que meu pai dizia “a gente pode fazer uma reforma ou ir viajar, o que vc prefere?”. Obviamente ela escolheu viajar e a casa ficou como ficou (veja, não que eu esteja reclamando de ter ido viajar como viajei, muito pelo contrário! É que esse não é o assunto!). Mas enfim, volto a pensar se um dia vou ter casa com cara de adulto, cara de adulto solteiro, hum, cara de 30 anos. Meu deus, de repente já to pensando nos meus 30 anos.
Quando eu era adolescente, eu achava que com 24-25 anos eu já seria super adulta. Na verdade, com mais de 20 eu já seria bem adulta. Também não sei bem o que eu queria dizer com “bem adulta”, mas bom, definitivamente não é isso que eu sou hoje. Vamos combinar que eu levo uma vida cômoda. Casa dos pais, emprego estável… plain and boring. Falta aventura. E aí comecei, adolescentemente, a fazer uma lista mental do que eu queria fazer antes dos 30. Ou até pelo menos o comecinho dos 30, vai, vamos colocar uma pequena margem… Pq se até agora eu não consegui ser a adulta que eu achava que ia ser, melhor baixar as expectativas pros to do’s dos 30, né? Bom, era mais ou menos assim:
- morar sozinha num apartamento pequeno e arrumadinho (em termos de decoração, pq bagunçado ele estará sempre)
- viajar muito, pra todo e qualquer canto, e morar em algum desses cantos por um tempo, e depois morar em outro canto e assim por diante
- emagrecer uns bons 10kg
- ter me encontrado em algum emprego que não envolva escritório o tempo inteiro
- conseguir deixar as unhas bem compridas e pintá-las de vermelho
- ter o cabelo de todas as cores… mais loiro, ruivo vermelhão de novo, ruivo alaranjado tipo Nicole Kidman, castanhão e preto
- aprender a falar várias várias línguas, até algumas menos comuns, tipo uns dialetos africanos
- tirar cidadania italiana
E puxa, isso é tudo que eu consigo lembrar. Droga, acho que tinha mais coisa. Mas enfim, de qualquer maneira, o que isso mostra? Que eu não faço a menor idéia do que eu quero fazer com o resto da minha vida. Notem que nenhuma das coisas listadas é um real objetivo motivador, que nem daquelas pessoas que batem o pé porque querem ser astronautas ou cantoras, e correm a vida inteira atrás disso. Eu não tenho um propósito desses. Eu não sei o que quero da vida, não sei mesmo. E sabe? Acho que eu sou feliz assim.
E que se dane se eu não fizer nada disso até os 30, ou até os 40, ou whatever. O tempo é agora. Vou trabalhando e correndo atrás do que me prende a atenção agora, e se amanhã não for mais isso, beijo tchau. Cada coisa tem seu momento, e eu to fazendo dos meus momentos felizes agora. E essa é minha meta pros 30 anos. Continuar fazendo momentos felizes :)