with this blank expression

27 05 2009

Hoje o dia terminou com uma notícia ruim.

Uma pessoa querida não vai mais dividir os dias de trabalho comigo, ali, a uma braçada de distância. Ela era a minha implicância preferida! Vou sentir falta, quase como se fosse minha a despedida…

Post curto de desabafo, não ia conseguir dormir com isso…





by the time I’m 30

25 05 2009

Hoje saí do escritório e resolvi despojadamente dar um pulo na Etna. É caminho pra casa anyway, e eu tava a fim dar uma renovada no meu quarto, no mínimo ia encontrar inspiração lá.

Como todas as vezes vou que lá, acho tudo lindo, mas percebo que não tenho nenhuma capacidade de fazer a minha casa ficar linda também. Se me mostram os itens separados, fora de ambiente, acho tudo feio, não sei dizer o que combina e, principalmente, não faço a menor idéia se ia ficar legal junto com as coisas que eu já tenho em casa. É, não nasci pra decoração. Mas aí eu fico vendo todos aqueles ambientezinhos que eles criam, e eles são tão bonitinhos e tão vazios. Queria encher aquelas mesas de jantar com a Cachinhos Dourados e os ursos que tomam conta dela, sabe? Bom, aí as idéias tomam outro rumo (pq afinal de contas ficar pensando sobre a Cachinhos Dourados não te leva a muitos lugares) e eu fico pensando se um dia eu vou ter uma casa bonitinha e arrumadinha que nem aquelas. Bem decoradinhas, com tudo arrumado e combinando, com cara de casa de adulto. Sabe, a minha casa é… desajeitada. Não vou dizer que é feia, pq também não seria justo… mas o fato é que a casa é grande e os objetos são quase todos os mesmos desde, hum, 1986? Cada vez que solto um singelo “orra mãe, vc nunca quis dar uma renovada na coisas por aqui, não?”, ela responde que meu pai dizia “a gente pode fazer uma reforma ou ir viajar, o que vc prefere?”. Obviamente ela escolheu viajar e a casa ficou como ficou (veja, não que eu esteja reclamando de ter ido viajar como viajei, muito pelo contrário! É que esse não é o assunto!). Mas enfim, volto a pensar se um dia vou ter casa com cara de adulto, cara de adulto solteiro, hum, cara de 30 anos. Meu deus, de repente já to pensando nos meus 30 anos.

Quando eu era adolescente, eu achava que com 24-25 anos eu já seria super adulta. Na verdade, com mais de 20 eu já seria bem adulta. Também não sei bem o que eu queria dizer com “bem adulta”, mas bom, definitivamente não é isso que eu sou hoje. Vamos combinar que eu levo uma vida cômoda. Casa dos pais, emprego estável… plain and boring. Falta aventura. E aí comecei, adolescentemente, a fazer uma lista mental do que eu queria fazer antes dos 30. Ou até pelo menos o comecinho dos 30, vai, vamos colocar uma pequena margem… Pq se até agora eu não consegui ser a adulta que eu achava que ia ser, melhor baixar as expectativas pros to do’s dos 30, né? Bom, era mais ou menos assim:

- morar sozinha num apartamento pequeno e arrumadinho (em termos de decoração, pq bagunçado ele estará sempre)

- viajar muito, pra todo e qualquer canto, e morar em algum desses cantos por um tempo, e depois morar em outro canto e assim por diante

- emagrecer uns bons 10kg

- ter me encontrado em algum emprego que não envolva escritório o tempo inteiro

- conseguir deixar as unhas bem compridas e pintá-las de vermelho

- ter o cabelo de todas as cores… mais loiro, ruivo vermelhão de novo, ruivo alaranjado tipo Nicole Kidman, castanhão e preto

- aprender a falar várias várias línguas, até algumas menos comuns, tipo uns dialetos africanos

- tirar cidadania italiana

E puxa, isso é tudo que eu consigo lembrar. Droga, acho que tinha mais coisa. Mas enfim, de qualquer maneira, o que isso mostra? Que eu não faço a menor idéia do que eu quero fazer com o resto da minha vida. Notem que nenhuma das coisas listadas é um real objetivo motivador, que nem daquelas pessoas que batem o pé porque querem ser astronautas ou cantoras, e correm a vida inteira atrás disso. Eu não tenho um propósito desses. Eu não sei o que quero da vida, não sei mesmo. E sabe? Acho que eu sou feliz assim.

E que se dane se eu não fizer nada disso até os 30, ou até os 40, ou whatever. O tempo é agora. Vou trabalhando e correndo atrás do que me prende a atenção agora, e se amanhã não for mais isso, beijo tchau. Cada coisa tem seu momento, e eu to fazendo dos meus momentos felizes agora. E essa é minha meta pros 30 anos. Continuar fazendo momentos felizes :)





não por acaso

22 05 2009

Normalmente a gente acorda atrasado, se arruma correndo, come atravessado, corre pro trabalho, trabalha trabalha trabalha, sai correndo de lá, faz alguma coisa com alguns amigos, e vai pra casa dormir. Seguindo exatamente a trilha do dia anterior, que também vai se repetir no dia seguinte.

Não que isso seja um problema – dessa vez não tenho o intuito de reclamar da rotina. O fato é que, envoltos na nossa corrida seqüência de acontecimentos rotineiros, a gente se esquece de perceber detalhes que compõem a nossa própria vida. Algumas pessoas, por exemplo. Eu gosto de prestar atenção nos “coadjuvantes” da minha vida, acho que eles fazem toda uma diferença.

Todas as manhãs a caminho do escritório, eu gosto de observar, mesmo que por breves segundos, o guarda da minha rua, o segurança do consultório médico da esquina (pra quem eu sempre falo um bom dia imaginário, já que ele quase nunca olha pra mim enquanto estou olhando pra ele. É quase que a mesma coisa que falar boa noite pro William Bonner, na verdade), a moça que lava o chão do bar, o mendigo pelado que anda pela Marginal, o CET no semáforo, o porteiro do prédio. Sempre procuro na padaria o homem que veio me ajudar quando bateram no meu carro. No almoço, tem os garçons e garçonetes da região, os entregadores, o cara engraçado da papelaria, o rapaz do camelô, os taxistas do ponto. E à noite tem mais outro bocado de gente. Gente que, como eu, está sempre naqueles mesmos lugares naquelas mesmas horas, mas gente que mal sabe que eu existo. Assim como eu, na verdade, mal sei que eles existem. Mas lá no fundo, eu olho pra eles com alguma ternura, com algum brilho de reconhecimento. Eu sei quem eles são. Não sei seus nomes nem profissões, não sei de onde vêm, mas sei que estão ali junto comigo todo santo dia. E que de alguma maneira eles fazem uma diferença, e de alguma maneira a gente tá junto. É porque eles estão ali onde estão fazendo o que fazem que as coisas acontecem como acontecem. Uma mulher em Paris esquecer um casaco em casa pode contribuir pra coisas que ela nem imagina (já viram O Curioso Caso de Benjamin Button?).

Pensando bem, não é à toa que alguns dos meus filmes preferidos tratam de alguma maneira desse assunto… Não Por Acaso, Corra Lola Corra, Amelie Poulain, Duets, 21 Gramas, Simplesmente Amor, Ensaio Sobre a Cegueira…

Eu gosto de histórias de vidas que se cruzam. De pessoas que não se conhecem, que às vezes nem têm nada em comum, mas acabam entrando na vida um do outro. Acho legal isso, acho bonito. Como tem tanta gente por aí, tanta coisa acontecendo nesse exato momento, tem tantas vidas surgindo, tantas terminando e tantas se encontrando… O momento do encontro..! A interferência que uma pessoa faz na vida da outra, a influência que ela tem, o significado que ela dá pra uma coisa ou momento. A gente não é nada sem aqueles ao nosso redor, não por acaso. :)





crazy little thing

19 05 2009

Sabe o que eu acho engraçado? Como a gente se apaixona por algumas pessoas e por outras não. Como a gente gosta de algumas e de outras não. E olha que tem muita gente que se esforça pra gente gostar delas, e tem vezes que a gente de fato tentar deixar nascer esse sentimento, mas… ele simplesmente não vem.

Eu (e todo mundo) já tive e tenho alguns, digamos, relacionamentos abertos. Já saí diversas vezes com uma mesma pessoa sem me apaixonar. Mas, por outro lado, sei de gente que às vezes sai com alguém só uma ou duas vezes (ou nem isso, às vezes acontece por algumas simples conversas por MSN ou whatever) e já começa a olhar praquele pseudo-relacionamento com outros olhos. Ok, ok, quem eu quero enganar, isso já aconteceu comigo também. Mas, de maneira geral, acho que consigo separar bem as coisas. Em um relacionamento que é puro sexo os dois (ou mais!) lados envolvidos devem ter essa informação muito clara na cabeça. E quando eu tenho isso, acho que consigo criar uma certa “barreira amorosa”. Mas não nego que meu jeito de tratar a pessoa fica diferente. Acho que é quase que imediatamente que eu já crio um laço mais forte, nem que seja só no campo da amizade. E óbvio também que ninguém é de ferro, e às vezes a tal da barreira falha e a gente se pega misturando as coisas. Mas de qualquer maneira, de todas as pessoas com quem a gente faz sexo ao longo da vida… com quantas a gente de fato se apaixona? E eu insisto: por que pessoa X, sendo que a pessoa Y fez exatamente a mesma coisa com você?

O que a gente precisa sentir de uma pessoa pra desenvolver esse sentimento? Que energia deve ter no ar pra que dê certo? Por que algumas pessoas se dão bem logo de cara e outras demoram um tempo? Como diabos foi que, no primeiro dia de aula da faculdade, eu olhei praquele bando de gente sem cabelo, e escolhi sentar do lado daquela meia dúzia, que são meus melhores amigos até hoje? Depois, com o tempo, fui conhecendo o resto do pessoal. E hoje não tenho dúvida, não teria me dado tão bem com eles como me dou com os meus amigos. Com certeza não teria passado as férias na neve com eles. E como é que a gente capta essas coisas no ar, meudeusdocéu?! (não reparem, estou com febre e talvez até delirando um pouquinho)

Como diz minha mãe, boi preto cheira boi preto. Quase sempre a gente sabe só de olhar quem tem o mesmo espírito que nós. A gente aprende a sacar quem é dos nossos, com quem vamos nos dar bem, quem são aqueles precious few.

E quase sempre a gente desperdiça esse brilho no olhar que só tem quem está te entendendo, sentindo o que você também está sentindo. O mundo é amor e a gente desperdiça por não ter maneiras, por não saber o que fazer, por exagerar ou por desprezar coisas. É, amigos… não abandonem sua boiada…

(Ai, é a febre falando, acho que estou meio hippie-free-love, don’t mind me today. E esse post tinha tanto potencial lá no começo, vou ter q refazê-lo outra hora. Damn!)





correspondências

18 05 2009

Querido corpo,

De acordo com meu humilde entendimento, quase todos os seus órgãos estão apresentando falhas e não posso deixar de comunicar o incômodo por isso causado.
Já prevejo seu contraponto, comparando o corpo à uma sala de aula. Se alguns poucos alunos vão mal em uma matéria, a culpa é dos alunos, que não se esforçaram, não conseguiram acompanhar a sala, ou simplesmente vagabundearam em serviço. Mas, se a sala inteira vai mal, a culpa é do professor que não soube se comunicar e se fazer entender pelos alunos.
Assumo, portanto, grande parte da culpa por suas falhas, corpo amigo. Entendo que a mente, minha chegada, anda tão preocupada com sua rotina mesquinha que tem até atrapalhado as funções regulares dos seus órgãos. Mas preciso que você saiba que isso é uma grande bola de neve. O mau funcionamento da minha parte compromete a sua, mas enquanto os órgãos sofrem a mente também não consegue se acalmar. E, se ninguém começar a resolver isso logo, vai chegar uma hora em que não vamos mais conseguir sair da avalanche e eu inocentemente imagino que isso não seja uma coisa legal.
Conto com a sua compreensão.

Grata,
¬¬





sitting, waiting, wishing

14 05 2009

Hoje eu queria um monte de coisa.
Queria correr na chuva forte pra comprar uma Coca Cola e voltar pra casa e ver TV. Queria sentar num banco do parque e ficar olhando o céu roxo. Queria um abraço demorado e apertado, daqueles que passam uma segurança que nenhuma palavra é capaz que representar. Queria gostar do meu trabalho como gostei ontem, vendo o equilibrista louco. Queria perder uns 10kg. Queria ficar feliz com a cor do meu cabelo, queria arranjar um freela de revisora de texto. Queria que o dia tivesse mais algumas horas, e queria que as pessoas fossem menos ocupadas. Queria eu ser menos ocupada. Queria não ir pra pós esse final de semana. Queria dormir gostoso no sábado de manhã e não ter que pensar em semiótica.
Queria saber o que quero da vida, queria ter aquela inspiração que vem da alma e queria conseguir encontrar alguma coisa no mundo material que acolhesse esse calor. Queria um cachorro brincando no meu pé (e eu nem gosto de cachorros). Queria fazer uma trilha, andar no meio do mato, me perder no meio do mato. Deitar na grama e trocar filosofias baratas com pessoas queridas, enquanto olho pras folhas das árvores em cima de mim.
Queria um banho quente, um prato de sopa e a minha cama. E a noite vai ser uma delícia :)





simples desejo

12 05 2009

É um sentimentinho feliz e amplo tão gostoso que eu nem consigo explicar, que eu nem consigo concentrar pra escrever. É a surpresa de ter um dia péssimo, de quase desistir de tudo, e de repente ouvir algumas palavras boas, totalmente inesperadas. É a liberdade de pegar estrada sozinha seguindo a lua na neblina. É a delícia de olhar pra lua com o pé na areia. É ouvir o mar, é ganhar um abraço sentindo o vento. É dormir feliz e acordar com um dia lindo.

(Dona Joana insistiria que estou apaixonada..!)

Orna: Daniela Mercury – Rede





corre e olha o céu

8 05 2009

Não consigo pensar em um só dia nas últimas semanas em que eu não tenha chamado alguém pra ver o céu. Ver o azul marcado dos dias de outono, ou um pôr-do-sol digno de se assistir da cobertura, sentindo o vento no rosto, ou a lua brilhando no escuro só pra nós. O céu me hipnotiza sempre.

A Dona Joana quando me ouve falar essas coisas, arrebata logo que estou apaixonada. Há anos ela diz a mesma coisa, e há anos ela está certa, quase sem saber. Na verdade, eu sou apaixonada, e na verdade acho que só me dei conta da grandeza disso entre ontem e hoje.

Como bem disse a Laís, mulher não tem personalidade, tem hormônio. Por sorte, os hormônios bons voltaram a habitar a casa (god, how I missed you!), e resolveram dar as caras ontem, com aquele abraço forte de quem não se vê há tempos. No meio de uma semana completamente atormentada, de repente senti aquele calor no coração e aquela alegria incontrolável, que até faz tremer as pernas. Foi gostoso vir pra casa no meio do expediente, foi gostoso sair de novo, foi gostoso tirar de mim aquela sombra, aquela fumaça preta do Lost, e respirar coisas boas. E, como as coisas não acontecem por acaso, foi mais gostoso ainda chegar em casa e ler mais um capítulo do “Comer, Rezar, Amar” (o Bruno debochou –verbo pro dicionário Dona Cotinha– comigo que todas mulheres e todos os gays que ele conhece já leram esse livro, mas o que se pode fazer, é uma história que mexe com os sentimentos!). Descobri que estava bem no capítulo do trecho que a Pathy tinha me mostrado uma vez, quando o Richard do Texas diz pra Liz: “você tem a capacidade de um dia amar o mundo inteiro. É o seu destino. Não ria.”

Acho que até chegar nesse trecho do livro eu não tinha entendido muito bem essa frase. Fiquei um tempo pensando nisso antes de dormir. Casando a frase com todo o sentimento bom que tive ao longo do dia. E me dei conta de que eu já sou uma pessoa feliz, porque já amo o mundo inteiro. Um tanto pretensioso, eu sei, mas minha alma de pseudo-poeta não me deixa pensar menos. Um dia na nossa vida a gente se dá conta de como tudo ao nosso redor é lindo e valioso. De como a vida é grande. E de repente você começa a olhar pro azul marcado do céu de outono e pensar que não é possível que, em um dia lindo como aquele, alguém possa sequer pensar em ter algum problema.

Ficamos sempre tão envolvidos e absortos em problemas banais do dia-a-dia, que esquecemos da grandeza do universo. É o trânsito, é o mau humor do chefe, o prazo apertado, o menino folgado da agência infernizando sua caixa de emails. Isso consome a gente, e como consome. É trabalho demais pra sentimento de menos.

Saí tarde do escritório, e dirigi pra casa pensando como amo meus pais. Estava com aquele “amo vocês” entalado na garganta. Um sentimento de gratidão indescritível. Mas com tanto stress, tanta dor, tanta correria, eu tinha por um instante esquecido como era amar, e esquecido como aquilo era importante. Cheguei em casa e fiquei, tímida e com um pouco de medo, ensaiando sozinha antes de aparecer na sala só pra dizer o quanto amo aqueles dois. Minha mãe pulou do sofá pra me abraçar e ver se eu estava com febre. E os três deram aquela risada boba e gostosa de satisfação. E isso sim é o que importa. E isso sim é grande como o céu, grande como o universo. É o amor. Não só pros pais, pros amigos, ou pros próximos de maneira geral. É o amor pra vida. É o seu destino. Não ria.

Pra ler ouvindo Paulo Padilha – Mágica.





aquele da rotina

6 05 2009

Funciona assim:

7h42 toca o despertador com o tema do Happy Tree Friends. Uso o mesmo há meses e já estou um pouco cansada dele, mas nenhuma outra música do meu celular me desperta como essa. Entre 8h01 e 8h07 eu me empurro pra fora da cama e vou pro banho. Pelo menos uma vez por semana, o jardineiro do vizinho está arrumando as plantas da varanda superior dele bem na hora do meu banho, e eu sou obrigada a fechar a janela o máximo possível. Escovo o dente enquanto o condicionador faz efeito, vou para o quarto antes de me enxugar e me arrumo, colocando alguma mesma roupa da semana anterior, porque na realidade, tanto faz. Desço e tomo um copo de suco, como uma fatia de melão e metade de um pão francês com queijo, enquanto minha mãe anda pela casa freneticamente, ouvindo músicas da rádio de MPB ou infantil da Net. Isso já começa a me irritar um pouco. Aquela coisa agitada e frenética dela andando sem rumo pela casa, quase batendo nas paredes só pelo exercício de caminhar, me cansa logo cedo. Eu acordo devagar, bem devagar. Vou pro carro, abro o portão, ligo o ipod e coloco os óculos escuros, mesmo que não precise deles. Quase bato o carro em toda santa esquina até conseguir chegar na Marginal. Quando chego perto do luminoso da Mapfre eu estico o braço pra pegar a bolsinha de maquiagem, e no farol da Bandeirantes eu passo uma camada nada uniforme de base no rosto. Começo a passar o rímel e o farol abre, só consigo terminar quando já estou na Gomes. Entro na garagem afobada, sempre errando as curvas e com a música alta. Deixo o carro num canto, procurando o BOI3434 por todos os lados. Espero e espero aquele elevador demorado aparecer no -2 e me levar ao 10º andar. Normalmente os chefes já estão lá, trabalhando ativamente, quando eu chego, às 9h28.

Aí vai a rotina de ligar o monitor, abrir o Outlook, o MSN, o gtalk, o gmail, o Orkut, o twitter e o Globo.com. Atualizações feitas, vamos tentar trabalhar. Emails e mais emails, telefone não pára e muitas vezes eu finjo não ouvi-lo tocar, porque simplesmente não conseguiria dar conta de mais uma coisa naquele momento. Lá prumas 11h50, sempre tem um que começa a gritar o bom e velho “fominhaaa”, e começa a discussão de onde ir. Rato, Kony, Pudim, Gaia, Verdinho, Frangaria, Trilha, Dumas, Hakka, aquele que o chão treme, aquele que pega fogo, ou comidinha da Dona Jô. Todo dia a mesma coisa. E lá vamos eu, Pathy, Mazi e David. Almoça, volta, escova o dente, trabalha, trabalha, trabalha. Agência mais cobrando coisas do que fazendo o que deve, prazos estourando, budget inexistente e Nora e Leandro pedindo mais e mais planilhas com ações e verbas totalmente fictícias e sem nenhum sonho de um dia saírem do papel. 16h, começo a pensar que não tenho o que fazer depois do trabalho. 17h chega o rotineiro bode, encosta do meu lado e fica tranquilamente ruminando (apesar de que acho que bodes não ruminam) e, vez ou outra, fazendo um amigo “béé”. 18h, as pessoas começam a ir embora, normalmente sem se despedir. 19h, estou liberada, mas estou ainda cheia de trabalho e devidamente acompanhada do bode. Quando resolvo que chega, enfrento um trânsito absurdo, qualquer que seja o destino. E quando vejo, já são 7h42 de novo e o despertador já me acorda com outro susto…

E é assim, por enquanto.

Enquanto espero alguma coisa acontecer. Ou lá fora, ou aqui dentro.

Um dia eu vou sentir saudade. Mas agora ela só me dá agonia.





dá pra mim

1 05 2009

Acordei às 14h, naquele bode que já virou quase que clichê dos feriados pra mim, mas dessa vez também estava chateada por conta de um pesadelo bem realista (bom, mas também, qual pesadelo não é bem realista? A gente sempre acorda com os sentimentos mexidos e revirados!). Sonhei que estava viajando com um pessoal, e a Lary e o Simi estavam também. Num dado momento, estávamos tipo numa galeria redonda, que de alguma maneira bizarra parecia aquele lugar de onde saíam as carruagens lá em Vienna, e eu estava guardando o casaco num grande cabide coletivo, mas, como estávamos com pressa, acabei meio que largando minhas coisas e, quando voltamos, tínhamos sido assaltados. Por mais previsível que fosse o assalto, fiquei muito, mas muito chateada. E de repente eu tava andando pela Anhembi Morumbi sozinha, encontrei a Chris (!), descobri que a universidade era gigante e tinha vários corredores escondidos… era todo um túnel que levava a uma grande clareira, alguma coisa parecida com a livraria Cultura do Conjunto Nacional… com carpete roxo ou azul escuro… e tinha uma menina loira muito alta parada me olhando… e muitos livros legais… e eu procurando o Simi e o Vicente… e foi isso, não aconteceu mais nada, mas eu tinha um sentimento tão forte de chateação pelas coisas roubadas que acordei ainda com esse bode.
Peguei o celular pra mandar msg pro Simi e acabei deletando umas antiguinhas… foi quando me dei conta de outro sonho que tive. E aí sim eu fiquei perturbada. Acho que não convém contar em detalhes pra deus e pro mundo, mas puta merda. Envolvia sexo e longos cabelos ruivos. E a japa dormindo a meio metro. Cara, e foi um sonho bem imagético mesmo, eu lembro dos detalhes. Tô assustada!! Normalmente nos meus sonhos eu não vejo o rosto das pessoas, só sinto e sei que são elas. Ou às vezes vejo o corpo, mas o rosto fica embaçado. Mas cara. Não lembro se vi o rosto de Mr. X, mas voz grossa e longos cabelos vermelhos são inconfundíveis. Não passam despercebidos, e não é todo mundo que tem, né memo? Liguei pra Pathy, pq fiquei perturbada de verdade, e ela só disse “puxa, você quer mesmo que role, né?”. Dei risada. E comecei a cantar, dentro de mim, óbvio (modo Mallu Magalhães: on! Hahahaha), Polegar – Dá Pra Mim. Hahahaha! Porque a gente se fode, mas se diverte pra caralho..!