Em uma das aulas da faculdade, um professor insistiu para que fizéssemos grupos com pessoas que não eram nossas amigas, porque um grupo heterogêneo levaria a resultados mais criativos. É verdade, parece que ele tinha razão – pessoas diferentes trazem visões novas e tiram a gente de alguns vícios.
Muito justo pensar isso no trabalho, na aula. Mas e no dia-a-dia, nas amizades? O que vale mais a pena? Sou sempre a favor do meio termo, não gosto mais pessoas nem muito iguais a mim nem muito diferentes. E foi pensando nisso, analisando meus relacionamentos e também os de amigos, que um tempo atrás cheguei a uma conclusão que carrego comigo até hoje. Vamos ao desenvolver do raciocínio:
Meu primeiro namorado era minha versão masculina. Foi assim que nos apresentaram, e foi isso que eu achei também por todo o tempo em que ficamos juntos. Afinal, quem não se sente confortável com alguém que tem as exatas mesmas vontades e os exatos mesmos gostos que você? É… bom… eu. Depois de um tempo ficou tudo muito cansativo, porque né, pra ter alguém igual a mim, bom, pra isso eu já tinha eu mesma. Aquilo não me levava a nenhum lugar novo.
Reação natural, fui da água pro vinho. Meu segundo namorado não tinha nada a ver comigo. Não tínhamos praticamente nada em comum, nem gostos nem lugares nem nada. Por um lado, aprendi muito e expandi loucamente os horizontes, mas obviamente tudo isso também cansou e às difereças voltaram à tona quando até uma visita à Blockbuster era uma tarefa difícil.
A gente quando está com problemas em relacionamentos, naquelas fases de insegurança, sempre acaba procurando conselhos baratos. Amigos com sugestões furadas, textos de auto-ajuda, até em Power Point de feitiçaria a gente presta mais atenção. E cada coisa dessas vai dizer uma coisa diferente sobre relacionamentos – e aí, afinal a gente tem que procurar pessoas que são como nós ou, como dizem, os opostos se atraem mesmo?
Por coincidência, pouco depois de terminar o segundo namoro, fiquei muito amiga de um casal. Gente que eu já conhecia mas não tinha muita intimidade. Foi observando eles, juntos, separados, com amigos, com família, com suas qualidades e com seus defeitos enquanto casal, que eu cheguei a uma conclusão. Demorei até, porque não conseguia entender como aquelas duas pessoas tão diferentes estavam juntas há tanto tempo (uns dez anos, se não me engano!). E foi aí que eu vi – para que duas pessoas se dêem bem, seja num relacionamento amoroso ou numa amizade, não é preciso que eles gostem das mesmas coisas ou até gostem de coisas completamente opostas. É preciso que eles entendam o mundo uma maneira parecida. É como você reage ao que lhe é oferecido, é como você entende (ou não) as coisas ao seu redor. É se você vai encarar o que tem que encarar com um sorriso, com garra, chorando ou com um franzido na testa. Com uma visão de mundo parecida, não importa se você gosta de azul ou rosa, se prefere Austin Powers ou Monty Python, porque vocês vão se entender.
Pensem em quantas pessoas vocês conheceram ao longo da vida, e com quantas de fato sentiram uma conexão, com quantas de fato você ornou, mesmo que temporariamente.
E é por isso que quando a gente acha alguém que encara as coisas da mesma maneira que a gente, alguém que orna e encaixa, não tem nada mais importante do que guardar essa pessoa.
We need people for everything.
Paulinha, adorei o texto! E super concordo com vc, em tudo!
E acho que isso vale pra namorado, pra amigos e até pra família!
Um beijão!